segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Em Pauta: Jornais Digitais

Meios animais de comunicação

    Certa noite da primavera de 1986, explodiu a central nuclear de Chernobil.
    O governo soviético deu a ordem de silêncio.
    Muitas pessoas, imensa multidão, morreram  ou sobreviveram transformadas em bombas ambulantes, mas a televisão, o rádio e os jornais não ficaram sabendo. E depois de três dias, não violaram o segredo para advertir que aquela explosão de radioatividade era uma nova Hiroshima, mas asseguraram que se tratava de um acidente menor, coisa de nada, tudo sob controle, que ninguém se alarme.
   Os camponeses e os pescadores de terras é águas vizinhas e distantes souberam que alguma coisa muito grave tinha acontecido. Quem lhes transmitiu a má notícia foram as abelhas, as vespas e as aves que alçaram vôo e se perderam de vista no horizonte, e as minhocas que se afundaram um metro debaixo da terra e deixaram os pescadores sem isca e as galinhas sem comida.
    Duas décadas depois, explodiu o tsunami no sudeste da Ásia e ondas gigantes engoliram a multidão.
    Quando a tragédia estava se incubando, e a terra recém começava a rugir nas profundezas do mar, os elefantes fizeram soar suas trombas, em desesperados lamentos que ninguém entendeu, e romperam as correntes que os atavam e se lançaram, em desabalada carreira, selva adentro.
   Também os flamingos, os leopardos, os tigres, os javalis, os cervos, os búfalos, os macacos e as serpentes fugiram antes do desastre.
Só os humanos e as tartarugas sucumbiram. (GALEANO, 2008, p. 333).

Com o jornalismo digital, as notícias voam, lançam-se. Atualmente é o meio de comunicação mais rápido de atualização, só seria mais rápido, se os animais munidos de sua sabedoria e intuição, como exposto no texto do grande escritor Eduardo Galeano pudessem participar da web.

Os jornais digitais tem um grande impacto no processo de informação, o imediatismo das notícias é o grande salto dessa forma de se veicular o que é notícia. Além disso, a atualização é outra importante característica do jornalismo online, visto que, “a atualização das notícias pode ocorrer ininterruptamente”. (Mielniczuk, 2001, p. 5).

Nessa lógica de quem publica antes é importante ater-se ao fato da veracidade das notícias veiculadas, conferindo a autoridade do jornal, do jornalista e das fontes utilizadas na notícia.


O alcance de uma notícia, através do jornalismo digital, é enorme, algo antes quase impossível através do jornalismo impresso:

A web representa uma mudança de paradigma comunicacional [...]. Ela oferece um alcance global, rompendo barreiras de tempo e espaço como não tínhamos visto antes. (ALVES, 2006, p. 95).

Ou seja, as notícias podem ser facilmente atualizadas e facilmente alcançadas por leitores em qualquer parte do mundo.





Vídeo sobre jornalismo digital, abordando algumas características.

Nesse processo de webjornalismo Alves (2006) aborda um interessante processo de transferência do poder de escolha. Nas mídias tradicionais (jornal impresso, televisão) quem escolhe as notícias que serão veiculadas é o emissor, no processo de webjornalismo é o receptor que escolherá as notícias de seu interesse:

A comunicação se torna eu-cêntrica porque tenho acesso somente ao que eu quero, na hora em que eu quero, no formato em que eu quero e onde eu quero.
Trata-se, sobretudo, de uma transferência importante de poder ou de privilégio, que passa do emissor para o receptor, numa evidente ruptura dos modelos fechados que se conheciam até agora. (ALVES, 2006, p. 95).

Todos os elementos: jornais digitais, imediatismo, atualização, busca da informação, afetam diretamente o trabalho do profissional da informação. O tratamento e organização dado aos jornais por parte destes profissionais passa a ser diferente ao tratamento dos materiais impressos.

Primeiramente, as unidades de informação deverão equipar-se com computadores ou outros dispositivos que tornem a leitura de jornais eletrônicos possível pelos usuários.
Além disso, o portal da biblioteca deverá conter os endereços eletrônicos dos jornais que mais interessem à unidade, para facilitar a busca dos usuários.


Em um mundo onde o tempo rege os passos das pessoas, acredito que o leitor buscará informações de seu interesse através dos próprios buscadores disponibilizados nos portais dos jornais. O profissional da informação não se preocupará tanto com a indexação desse material, porém terá um papel importante no serviço de referência auxiliando o usuário para que ache a(s) notícia(s) de que necessita.

E tudo isso leva-nos a pensar se os jornais impressos vão desaparecer, sou da opinião que não, ao menos não tão cedo. Sousa (2003) também é dessa mesma opinão, para ele a médio prazo, ao menos eles não desaparecerão:

 Estudos comprovam que a leitura no ecrã exige cerca de trinta por cento mais de esforço dos olhos do que a leitura em papel e tão cedo não teremos uma tecnologia de ecrãs ou de e-paper capaz de contornar este problema. Além disso, o papel é portátil e manuseável. A isto acresce que os jornais com versões impressas e on-line também têm apostado numa lógica de complementaridade e não de competição entre ambas, com a utilização de serviços on-line, como os votos, os concursos e a consulta de anúncios de classificados, para estimular a adesão aos jornais impressos. (SOUSA, 2003).

Uma notícia veiculada no blog A INFORMAÇÃO, em abril de 2009, mostra uma pesquisa que divulga dados sobre o fim do jornal impresso, grande parte dos entrevistados já procura informações na internet, o que faz creer que os jornais impressos poderão desaparecer. Outros fatores como: economia, ecologia, e-readers poderão também interferir nesse processo de transição total do suporte impresso para o digital.


Referências:

ALVES, Rosental Calmon. Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua. Comunicação e Sociedade, Minho, v. 9-10, n. 1, p. 93-102, 2006. Disponível em: <http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/view/4751/4465 >. Acesso em: 24 out. 2010.

GALEANO, Eduardo. Meios animais de comunicação. In: ______. Espelhos: uma história quase universal. Porto Alegre: L&PM, 2008. P. 333.

MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web.  2001. Disponível em:  <http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2001_mielniczuk_caracteristicasimplicacoes.pdf>.  Acesso em: 24 out. 2010.  (Trabalho apresentado no II Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2001).
 
SOUSA, Jorge Pedro. Jornalismo on-line. Forum Media, Viseu, n. 5, nov. 2003. Disponível em: <http://www.ipv.pt/forumedia/5/13.htm>. Acesso em: 25 out. 2010.

domingo, 17 de outubro de 2010

Em Pauta: Repositórios de Vídeos


Um repositório digital é uma forma de armazenamento de objetos digitais que tem a capacidade de manter e gerenciar material por longos períodos de tempo e prover o acesso apropriado. (VIANA; MÁRDERO ARELLANO;  SHINTAKU, 2005, p. 3).

Sendo locais de armazenagem e disponibilização da informação, logo, repositórios de vídeos, armazenam e disponibilizam vídeos. 

Para compreender a lógica de um repositório, este vídeo demonstra de forma divertida:








Um exemplo de repositório de vídeos da área de arte e entretenimento é o
PORTA CURTAS
um repositório de curtas-metragens, que tiveram o apoio da Petrobras através das leis de incentivo à cultura.

Os repositórios que oferecem fontes para estudo e pesquisa através de vídeos, ou ainda, apóiam a aprendizagem no processo de ensino-aprendizagem, são chamados de repositórios de vídeos educativos. 

Alguns exemplos de repositórios de vídeos educativos:











YouTube EDU 

O YouTube EDU é um subsite do YouTube, sendo atualmente o maior espaço da rede no quesito  vídeo-aulas. Possui conteúdos voltados à educação, como palestras desenvolvidas em universidades, cursos no formato de vídeo, ou seja, possui conteúdo de diversas universidades e faculdades de renome, como MIT, Stanford, UC Berkeley, UCLA, Yale e / IIT IISc. (COLMAN, 2009).

Disponibilizado a partir de 26 de março de 2009, tem objetivo de oferecer alguns dos maiores cursos universitários para qualquer pessoa com acesso à Internet e uma tela, com o intuito de democratizar o aprendizado.
 
Composto por diversos canais de Universidades, nas mais diversas temáticas, o YouTube EDU, é o resultado não intencional de um grupo de funcionários que tinha o desejo de destacar os grandes conteúdos educacionais disponibilizados no YouTube por universidades e faculdades. (YOUTUBE, 2009).
 
Em março de 2010, época que o repositório completou um ano, as informações disponibilizadas no blog oficial do YouTube (GREENBERG, 2010), informavam alguns números, da ordem de:

  • Mais de 300 universidades e faculdades;
  • Cursos universitários em sete línguas em 10 países;
  • Mais de 350 cursos completos ( aumento de 75% desde o início);
  • Milhares de estudantes que assistem os  vídeos;
  • Mais de 65.000 vídeos.


REFERÊNCIAS:

COLMAN, Dan. Introducing YouTube EDU! Open Culture. 2009. Disponível em: < http://www.openculture.com/2009/03/introducing_youtube_edu.html>. Acesso em: 17 out. 2010.

GREENBERG, Obadiah.  More courses and more college: YouTube EDU turns one. Broadcasting Ourselves, March, 2010. Disponível em: <http://youtube-global.blogspot.com/2010/03/more-courses-and-more-colleges-youtube.html>. Acesso em: 17 out. 2010.

VIANA, Cassandra Lúcia de Maya; MÁRDERO ARELLANO,  Miguel Ángel;  SHINTAKU, Milton. Repositórios institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do Dspace. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS BRASIL, 2005, São Paulo. Anais eletrônicos... São Paulo: USP, 2005.  Disponível em: < http://bibliotecas-cruesp.usp.br/3sibd/docs/viana358.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010.

YOUTUBE Team. Releases Notes: 3/26/2009. Broadcasting Ourselves, March, 2009. Disponível em:  <http://youtube-global.blogspot.com/2009/03/release-notes-3262009.html>. Acesso em: 17 out. 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Em Pauta: Vídeos como Fonte de Informação

    Quando estava na 7ª série do ensino fundamental, a professora de história passou uma atividade que consistia em fazer e apresentar um vídeo sobre um determinado período histórico.  Colocamos (eu e mais alguns colegas) nossa criatividade em funcionamento e filmamos um noticiário em “tempo real” da Guerra do Paraguai. Lembro até hoje do dia da filmagem na minha casa. Inclusive na frente da minha casa havia (e há ainda) um prédio abandonado que servia de moradia para sem-tetos. Nós fomos lá para mostrar as “conseqüências” da Guerra. Enfim, tudo isso para dizer que, passados dez anos dessa tarefa, deparo-me com o tema “Vídeo como fonte de informação”.
 
    O sistema de comunicação atual faz uso em grande quantidade das imagens.  Imagens em movimento – vídeos – carregam informações no seu caráter.  Ao mesmo tempo possui diferentes linguagens, o que contribui para seu sucesso.

O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. (MORAN, 1995, sem paginação).

    Ao possuir diferentes linguagens, consegue explorar no espectador sentidos, relações, emoções, ou seja, a dinamicidade contribui para que seja cada vez mais utilizado em processos onde a aprendizagem é o objetivo final.

O vídeo explora também e, basicamente, o ver, o visualizar, o ter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, as cores, as relações espaciais (próximo-distante, alto-baixo, direita-esquerda, grande-pequeno, equilíbrio-desequilíbrio). (MORAN, 1995, sem paginação).

   Contribuindo nessa lógica têm-se o caráter persuasivo da imagem:

A imagem é um instrumento de mensagem persuasivo com alto poder de penetração nas diferentes atividades neste final de século. (MARTINS; EGGERT, 1996, p. 4).

     Quanto aos tipos de informações presentes em um vídeo, pode-se dizer que são basicamente de 2 tipos: semântica (de conteúdo) e estética (mensagens artísticas). (SEMELER, 2010)
 
O vídeo digital conecta-se ao campo de estudos de informação no que ele tange os processos de produção, comunicação e uso desta e, assim, é visto como um suporte informacional usado para comunicação audiovisual – como uma memória dialógica que pode ser recuperada, armazenada e disseminada por meio de tecnologias digitais. (SEMELER, 2010, p. 48).

     As facilidades na produção e disseminação de informações na forma audiovisual é uma característica atual. Qualquer máquina fotográfica possui função para gravar, bem como, qualquer computador conectado à internet disponibiliza e recupera um vídeo em minutos.

     Pense em quantas informações não chegariam até nós sem os vídeos?

    Em pesquisa feita pela Havas Digital Brasil, Globosat e Qualibest e disponibilizada no blog Infosfera, diz que os internautas brasileiros consomem o maior tempo na internet  assistindo vídeos, sendo que 96% destes, consomem vídeos de curta duração. Youtube e sites de notícias são algumas das fontes onde são recuperados os vídeos.
     
     Ainda falando em vídeos, mais especificamente na área de Biblioteconomia e afins. Em Portugal há um Festival chamado BiblioFilmes Festival – onde os livros ganham vida. É um festival que promove a criação de vídeos sobre a biblioteca preferida, uma recomendação/crítica de um livro preferido ou de uma atividade de promoção da leitura! A iniciativa é interessantíssima, já está em sua 3ª edição. 
      E é bem fácil participar: fazer o vídeo, postar no youtube, enviar e-mail com o link do vídeo e o vídeo estará concorrendo. E está aberto à participação de toda comunidade de língua portuguesa. Este ano o concurso já encerrou, esperar pelo ano que vem e participar.



REFERÊNCIAS:

MARTINS, Maria Emília Ganzarolli; EGGERT, Gisela. Bibliotecário. Quem é? O que faz? Revista ACB: Biblioteconomia Em Santa Catarina,  Florianópolis, v .1 , n. 1 ,p. 45-48,  1996.

MORAN, José Manuel. O Vídeo na Sala de Aula. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 2, jan./abr. 1995. Disponível em: < http://www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm>. Acesso em: 04 out. 2010.

SEMELER, Alexandre Ribas. Vídeo digital : imagem, tecnologia e informação. 2010. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: < http://hdl.handle.net/10183/25630>. Acesso em: 04 out. 2010.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Em Pauta: Bancos de Imagens e Indexação

Os Bancos de Imagens na internet têm crescido absurdamente.  Nem sempre a tarefa de encontrar uma fotografia desejada é fácil, pois a quantidade excessiva de imagens torna esse processo dificultoso. Para uma eficiente recuperação de imagens é necessário que esta tenha sido indexada ao ser disponibilizada.

Uno de los principales problemas que presenta la descripción de este material es la forma en la que se representan los conceptos implícitos en ellos dada su peculiar riqueza visual y de contenido. Esto requiere de una verbalización de los mismos mediante un análisis documental, materializado en la delimitación de categorías, el uso de descriptores y la redacción de títulos [...]. (MUÑOZ CASTAÑO, 2001, p. 6).

A indexação de fotografias e documentos é feita de forma totalmente diferente. Atualmente a indexação de fotografias tem utilizado o uso combinado de conceito e conteúdo. 

O conceito está ligado a elementos que dizem respeito ao assunto, podendo, estes elementos serem concretos (imagem de uma árvore, um livro, um computador) e abstratos (emoções, por exemplo), essa leitura é muito subjetiva, portanto terá variações ao ser interpretada por diferentes indexadores. O conteúdo são atributos tais como: cor, textura, formato, orientação espacial, planos, locação da imagem, dimensões.

Na abordagem que se baseia no conteúdo, a indexação é realizada de modo automático, por algoritmos computacionais, através da extração de características de cor, textura e arranjo de figuras geométricas presentes na imagem. Na indexação com base em conceitos, as imagens são representadas por uma lista de palavras-chave que se referem às informações presentes na imagem. A indexação por conteúdo opera no nível sintático, enquanto a indexação por conceitos opera no nível semântico. (MANINI; LIMA-MARQUES; MIRANDA, 2007, p. 2).

A busca avançada utiliza campos que combinam esses e outros elementos, filtrando e especificando a busca de maneira significativa. 

Para melhorar a recuperação de imagens fotográficas há a necessidade de representar o conteúdo informacional (o que a imagem mostra) e a sua expressão fotográfica (como a imagem mostra). (MANINI; LIMA-MARQUES; MIRANDA, 2007, p. 2).

Desse modo, quanto mais informações um banco de imagens disponibilizar sobre uma fotografia mais recursos o usuário terá para filtrá-la e recuperá-la. Elementos como autor, data, assunto, cor, textura, forma, orientação, ponto de vista, planos devem ser utilizados para indexação, facilitando a recuperação de imagens.

O uso de vocabulários controlados para padronização de descritores utilizados como palavras-chave deve ser pensado para uma eficácia do banco de imagens. A possibilidade de os usuários acrescentarem tags às imagens é um recurso extremamente importante no mundo da web 2.0 e isso deve ser pensado também.

A precisão nos resultados de pesquisa que associe requisitos de conteúdo e conceito dependerá exclusivamente do indexador. Além disso, cada banco de imagens, sendo estes especializados, devem ater para questões particulares e de interesse de seus usuários, caso algum outro atributo seja de interesse para a comunidade que utiliza o banco de imagens, estes devem ser disponibilizados.

A Fundação Biblioteca Nacional possui um manual para indexação de imagens fotográficas e lembra das particularidades de cada na indexação de fotografias em diferentes contextos:

Dificilmente nossos critérios serão iguais àqueles de outras instituições detentoras de acervos fotográficos, já que uma imagem pode ter vários significados e usos — conseqüentemente, terão também assuntos diversos. Portanto, o objetivo deste manual é direcionar a visão do indexador para o ponto de vista da instituição, que se baseia no tipo de acervo que possui, no tipo de usuário diversificado que atende e nas suas características de biblioteca nacional.(ALVES; VALERIO, 1998, p. 7).

Aqui podem ser encontradas alguns comentários de como as imagens são indexadas no Google Imagens e isto pode facilitar quando formos fazer uma busca por imagens, entender como funciona a indexação é um grande passo para uma recuperação satisfatória.



REFERÊNCIAS:

ALVES, Mônica Carneiro; VALERIO, Sergio Apelian. Manual para indexação de documentos fotográficos. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento de Processos Técnicos, 1998. Disponível em: < http://consorcio.bn.br/consorcio/manuais/manualfoto/Manualfoto.pdf>. Acesso em: 27 set. 2010.

MANINI, Miriam Paula; LIMA-MARQUES, Mamede; MIRANDA, Alex Sandro Santos. Ontologias: indexação e recuperação de fotografias baseadas na técnica fotográfica e no conteúdo da imagem. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, 8., 2007, Salvador. Anais eletrônicos... Salvador: UFBA, 2007. Disponível em: < http://www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT2--151.pdf >. Acesso em: 26 set. 2010.


Muñoz Castaño, Jesús E. Bancos de imágenes: evaluación y análisis de los mecanismos de recuperación de imágenes. El profesional de la información, v. 10, n. 3, p. 4-18 , mar., 2001.
 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em Pauta: Fotografia Digital

Vou ser bem clichê a ponto de dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras”, a importância dada a uma fotografia é incontestável, visto que , “[...] sob múltiplos aspectos, se afirma cada vez mais como uma forma de expressão, de informação e de comunicação total [...]” (BAURET, 2000, p. 9).

Nossa história é contada por fotos, nossa memória é formada e auxiliada por estas imagens que convencionamos chamar de fotografias. Portanto, a fotografia tem uma importância extrema na construção da história. A história pode ser contada de diversas maneiras a partir de fotografias, do ponto de vista das fotografias de guerra, da evolução das cidades, dos retratos, enfim, fotografia é realidade. A imagem capturada precisa existir para ser retratada, logo é interpretada como algo real.

Em fins do século XIX e início do século XX a fotografia foi exaustivamente utilizada pra retratar a transformação das cidades.

[...] a preocupação com a documentação transparece na maior parte da produção do século XIX. Havia a intenção explícita de documentar o mundo e representá-lo em suas variáveis sociais e materiais. O espaço urbano e os tipos humanos foram os principais temas registrados. (COSTA; SILVA, 2004, p. 18).
  
 
 De Marc Ferrez, fotografia representando a evolução da cidade do Rio de Janeiro no início do século XX.
 Acesse o site do Instituto Moreira Salles e veja outras fotografias de Marc Ferrez. 

Na medida em que registram imagens que ocorrem no dia-a-dia, as fotografias servem como suporte para o conhecimento coletivo dos indivíduos e se tornam peças fundamentais para recuperar e compreender a história, pois imortalizam o momento do registro e podem ser conduzidas para outros tempos. (VITACHI; BONI, 2009).

A popularização da fotografia especialmente a partir de 1860, segundo Kossoy (1989, p.14), trouxe possibilidades novas de produção de informação e conhecimento.
Os meios de comunicação souberam utilizar, nos idos do início do século passado, com o começo do fotojornalismo, a fotografia como fonte de informação. A fotografia tem uma capacidade enorme de transmitir informações, ao enquadrar uma cena, o fotógrafo consegue captar informações visuais, emocionais e noticiosas. (SOUSA, 2004).


  Migrant Mother, de Dorothea Lange (1936), uma das fotos mais importantes do fotojornalismo.

A história da fotografia, como a conhecemos hoje, remonta ao século XIX, sendo uma invenção do francês Niépce. Química, física, óptica são necessárias para a formação de uma imagem fotográfica. Hoje em dia a tecnologia é um outro componente nesse processo. 
A introdução da tecnologia tem modificado os paradigmas fotográficos, tanto na questão de equipamentos, como softwares para manipulação de imagens, daí a fotografia digital ter atingido um nível de desenvolvimento acentuado. Acrescentaria que tem por vezes sido banalizada. As câmeras fotográficas, presentes em qualquer celular mais moderno, tornam o processo fotográfico acessível a qualquer pessoa, fotografias sem estética ou desprovidas de informações interessantes surgem cada vez rápido e rapidamente são distribuídas via internet, de certa forma ampliando a democratização da informação, de outro ponto de vista enche a rede de imagens sem informação. 

 Exemplo de fotografia sem estética, sem informação.

É fato, porém, que a web 2.0 não seria tão interessantes sem fotografias e vídeos, sendo composta apenas de textos não teria tantos internautas envolvidos.


 REFERÊNCIAS:


BAURET, Gabriel . Introdução. In: ______.  A Fotografia:  História, Estilos, Tendências, Aplicações. Coimbra: Edições 70, 2000. p. 9-13.

COSTA, Helouise Costa; SILVA, Renato Rodrigues da. A fotografia no século XIX. In: ______. A Fotografia Moderna no Brasil.  São Paulo: Cosacnaify, 2004.p. 15-31.

KOSSOY, Boris. Fotografia e história. São Paulo: Ática, 1989.
SOUSA, Jorge Pedro.   Fotojornalismo : introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa.  Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004. 1


VITACHI, Jocélia Rosa da Silva; BONI, Paulo César. Londrina Revisitada: a fotografia como registro histórico de duas épocas. In: Encontro Nacional de Estudos da Imagem, 2., 2009, Londrina. Anais... Londrina: UEL, 2009. Disponível em: < http://www.uel.br/eventos/eneimagem/anais/trabalhos/pdf/Vitachi_Jocelia%20Rosa%20da%20Silva.pdf. >Acesso em: 19 set. 2010.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Em Pauta: Avaliação do Blog Museu do Cinema


Parâmetros gerais


Tipologia do blog (pessoal, institucional): Não apresenta a autoria.
Têm objetivos concretos e bem definidos? Não.
Se os objetivos estão definidos, os conteúdos se ajustam a eles? -
Existe uma política editorial de aceitação de contribuições? Não.
Tem domínio próprio? Não.
Tem uma URL correta, clara e fácil de recordar? Sim.
Mostra, de forma precisa e completa, que conteúdos ou serviços oferece? A partir do título pode-se ter uma idéia geral sobre o conteúdo do blog.
A estrutura geral do blog está orientada ao usuário? Não.
É coerente o desenho (layout) geral do blog? É um layout limpo.
É atualizado periódicamente? Sim.
Oferece algum tipo de subscrição? Não.


Identidade, informação e serviços


A identidade do blog é mostrada claramente em todas as páginas? Sim.
Existe informação sobre (s) criador(es) do blog? Não.
Existe um logotipo? Não.
O logotipo é significativo, identificável e visível? -
Existe alguma forma de contato com os responsáveis pelo blog? Links para Facebook,Twitter, Orkut e Flickr são as formas de contato com o responsável.


Nos posts:
- é mostrada claramente informação sobre o autor? Não. A única informação presente é “Postado por Museu de Cinema”.
- é mostrada claramente a data de publicação? Sim.
- oferece links permanentes? Não.

É dada informação sobre número de usuários registrados e convidados? Não.
Existe um calendário de publicação? Não.
Existe um arquivo onde consultar posts anteriores? Sim.
Existe alguma declaração ética? Não.
Oferece links para outros blogs? Sim.
Oferece links externos a outros recursos de informação? Sim.
Apresenta uma lista de palavras-chave para cada post? Não.
Está traduzido em outros idiomas? Não.
Existe algum tipo de controle sobre conteúdos polêmicos? Não.
Possui uma seção de ajuda? Não.
O link da seção de “Ajuda” está colocado em uma zona visível? -
Oferece uma vista prévia antes de publicar? Sim.
Existe algum tipo de buscador? Não.
O buscador encontra-se facilmente acessível? -
Permite a busca avançada? -
Mostra os resultados de forma compreensível para o usuário? -
Dispõe de ajuda para realizar a busca? -
Qual o número médio de comentários? 3,9 comentários (calculado sobre os 10 últimos posts).


Estruturas e navegação


A estrutura de organização e navegação está adequada? Sim.
Tem algum sistema de navegação distinto da navegação por datas? Sim.
Os posts estão classificados tematicamente? Sim. Em listagens aos lado é possível procurar posts por temática
Que número de clics são necessários para ver os comentários aos posts? Um.
Que número de clics são necessários para fazer comentários aos posts? Dois.
Os links são facilmente reconhecíveis como tais? Sim.
A caracterização dos links indica seu estado (visitados, ativos etc.)? Sim.
Existem elementos de navegação que orientem o usuário sobre onde está e como desfazer sua navegação? Não.
Existem páginas “órfãos”? Não identifiquei.



Layout da página

São aproveitadas as zonas de alta hierarquia informativa da página para conteúdos de maior relevância? Não.
Foi evitada a sobrecarga informativa? Sim.
É uma interface limpa, sem ruído visual? Sim.
Existem zonas em “branco” entre os objetos informativos da página, para poder descansar a vista? Sim.
É feito um uso correto do espaço visual da página? Sim.
É utilizada corretamente a hierarquia visual para expressar as relações do tipo “parte de” entre os elementos da página? Não.


Acessibilidade


O tamanho da fonte foi definido de forma relativa? Sim.
O tipo de fonte, efeitos tipográficos, tamanho da linha e alinhamento empregados facilitam a leitura? Sim.
Existe um alto contraste entre a cor da fonte e o fundo? Sim.
Inclui um texto alternativo que descreve o conteúdo das imagens apresentadas? Não.
O site web é compatível com os diferentes navegadores? Sim.
Visualiza-se corretamente com diferentes resoluções de tela? Sim.
Pode-se imprimir a página sem problemas? Sim.


Visibilidade



Avaliação global
O blog Museu de Cinema apresenta informações referentes ao cinema mundial. É uma fonte de informação rápida sobre cenas, diálogos, movimentos, cartazes, livros, entre outras. Apresenta posts de listas referentes ao cinema. De uma forma geral é um blog limpo, com informações pontuais. Do ponto de vista de busca e recuperação da informação necesita de melhorias para facilitar a busca do usuário. Além disso necesita de mais informações sobre a autoria, pois esta é uma forma de dar credibilidade a um blog.

Avaliado por: Natália Gastaud de Oliveira
Data da avaliação: 07 set. 2010.



Fonte:

Adaptado de: JIMÉNEZ HIDALGO, Sonia; SALVADOR BRUNA, Javier. Evaluación formal de blogs con contenidos académicos y de investigación en el área de documentación. El Profesional de la Información, v.16, n. 2, p. 114-122, mar./abr. 2007.

sábado, 28 de agosto de 2010

Em Pauta: Qualidade da Informação em Blogs

Nesse momento cabe responder a questão proposta por Le Coadic que serve de indagação à este blog: o que fazer diante da quantidade? Avaliar é a resposta.



“A Internet disponibiliza milhões de páginas de informações sendo necessário ‘selecionar’ para se extrair informação de qualidade.” (ALVIM, 2007, p. 1)

 

Não devemos tomar todas as informações como verídicas, confiáveis e de qualidade. No post anterior havia comentado sobre a avaliação de blogs por bibliotecas e professores com a finalidade de se trabalhar a leitura através dessa ferramenta.

Nesse sentido Alvim (2007, p. 1) comenta que “o papel das bibliotecas tem sido pioneiro, assim como o de alguns autores, em organizar e controlar a informação electrónica oferecida nos sítios Web, através de técnicas e métodos de avaliação.”

As facilidades de utilização e manutenção de blogs propiciam que qualquer indivíduo possa publicar, isto gera uma quantidade enorme de informações de variados assuntos, sendo que “não existem avaliações prévias do que é disponibilizado.” (TOMAÉL et al. , 2001, p. 3).

“A avaliação de sítios Web tornou-se uma necessidade imperiosa perante o universo desordenado da Internet. A capacidade de seleccionar informação com qualidade determina o  êxito do indivíduo, no contexto da sociedade do conhecimento, e a qualidade da informação é determinada pela capacidade de satisfazer as necessidades de informação do indivíduo que a usa. “ (ALVIM, 2007, p. 3).

O objetivo deste post é enumerar alguns critérios que devem ser levados em consideração ao avaliar um blog. A avaliação deve analisar ”[...]  tanto o conteúdo quanto a apresentação da informação”. (TOMAÉL, 2001, p. 4).

Sobre a forma, deve-se levar em consideração os seguintes aspectos:

  1. Identidade e objetivos: verificar se o tema principal é implícito no título, além disso é importante que o blog possua um tema que norteará seus objetivos;
  2. Identificação de autoria: o blog deve apresentar o(s) responsável(s), bem como identificar o tipo de autoria, se individual ou coletiva, institucional ou pessoal, e ainda informar o contato do responsável, a partir das informações sobre autoria, é interessante verificar se o autor possui credenciais para escrever sobre o assunto;
  3. Estrutura da página, layout e navegabilidade: verificar se a disponibilização das informações é feita de forma clara e limpa, se existe uma homogeneidade visual ou não, se possui links dentro dos posts que remetam a informações complementares e se possui um blogroll;
  4. Atualização: deve-se verificar a periodicidade dos posts, a data da última atualização, e a data de início do blog, pois é um indicativo de consolidação do blog;
  5. Recuperação da informação: é interessante que o blog apresente um arquivo dos posts anteriores, uma caixa de pesquisa, além de apresentar uma listagem de palavras-chave, pois facilitam a busca;
  6. Acessibilidade: analisar o tamanho da fonte, cor e efeitos da fonte se são bons para leitura, se há a inclusão de imagens e vídeos para ilustrar a leitura.

Quanto ao conteúdo, deve-se levar em consideração:

  1. Tipo de linguagem utilizada;
  2. Uso de referências e fontes citadas;
  3. Originalidade ou reimpressão de outros blogs/notícias;
  4. Qualidade da escrita;
  5. Comprometimento comercial, ideológico ou político;
  6. Existências de respostas do autor nos comentários.

A partir destes critérios  é possível avaliar a maior ou menor qualidade de um blog,  a avaliação pode ser feita através de uma pontuação, ou mesmo assinalando se os blogs possuem ou não os itens enumerados, de forma a prestar atenção, pois alguns itens diminuem a qualidade de um blog, como comprometimento comercial e ideológico, por exemplo.

Os critérios enumerados acima levaram em consideração a literatura da área (ALVIM, 2007; JIMÉNEZ HIDALGO; SALVADOR BRUNA, 2007; TOMÁEL et al., 2001).



Referências:

ALVIM, Luísa. A avaliação da qualidade de blogues. In: Congresso da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, 9., 2007, Açores. Anais Eletrônicos... Açores: Universidade dos Açores, 2007. Disponível em: <http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM105.pdf>.Acesso em: 29 ago. 2010.


JIMÉNEZ HIDALGO, Sonia. SALVADOR BRUNA, Javier. Evaluación formal de blogs con contenidos académicos y de investigación en el área de documentación. El profesional de la información, v. 16, n. 2, marzo-abril, 2007.


TOMAÉL, Maria Inês et al. Avaliação de fontes de informação na internet. Informação & Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 11, n. 2, p. 1-13, 2001. Disponível em: < http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/293/216 >.  Acesso em: 29 ago. 2010.